terça-feira, 8 de novembro de 2011

Envergo Mas Não Quebro

"Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida
Saiba que minha alegria
Como é normal todavia
Com a dor é dividida
Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo
Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo
Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilibrio e requebro
É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambú-taquara
Eu envergo mas não quebro (2x)
Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem
Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem
Quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo

E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo
Em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro
Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo mas não quebro (4x)"

(Lenine, mestre )

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Última Chance

Depois de tantas vivencias, tantas palavras e nomes....todas as iniciais do alfabeto já passaram por mim. Ao menos é o que parece. No fim, nenhum deles ficou para contar a historia...mas a historia ficou, e hoje compõe o que a vida fez de mim.
 
Depois de tanto tempo, já conformada de que seria eu e Deus até o final, surge um Zo. Última letra do alfabeto. Última chance, Deus?
 
Ele me responde com um sorrisinho de canto de boca, como quem tira a carta da manga tão bem resguardada durante todo esse jogo.
 
Ele me diz que voce é único, e como tal, vem e conta uma nova história. Sem antes, sem depois. Em mim, é só voce agora.
 
Te chamo de Zo, como se dissesse entrelinhas, ao pronunciar essas duas letrinhas, que voce é meu último romance...
 

Oração do Tempo

Tempo,
Rezo para que tenhamos tempo de sermos bons amigos....
Nem tanto o tempo dos Homens....Mais o tempo das almas.........


"És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e migo
Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo..."

(Caetano Veloso)